Os primórdios das artes marciais podem traçar o passado da história do homem.   

Antes do início das primeiras civilizações, os seres humanos tiveram que aprender a usar

suas mãos e pernas em defesa da própria sobrevivência.

A ORIGEM DO TAEKWONDO

por Mestre Flávio S. Joo BANG

            Pode-se dizer que há mais de 3 milênios o povo coreano começava a praticar artes marciais.   Ching Heung, o vigésimo quarto rei da Dinastia Silla, teria sido o primeiro monarca a treinar seu corpo de oficiais de elite no Hwa Rang Do – arte de combate livre.   Aqueles jovens aristocratas guerreiros treinavam ferozmente sobre montanhas e gelados rios até a época da união da península coreana.

         O Soo Bak – forma primitiva de Taekwondo – eventualmente ganhou fama durante as Dinastias de Silla e Koguryo por seus movimentos similares ao Taekyon e ao Jujitsu.   Alguns historiadores acreditam que muitas formas de combate orientais, incluindo a concepção espiritual da arte, tenham se desenvolvido na Coréia segundo o Hwa Rang Do.   Essas novas formas, chamadas de Soo Bak Gi, teriam sido apresentadas na China como Kwon Bup e no Japão como Karatê.

         Durante a Dinastia Koryo ( 918 – 1392 ), vinte e cinco posturas estavam sendo desenvolvidos por mestres de Soo  Bak Gi – movimentos esses similares ao Taekwondo moderno, pelo que se pode ver através de estátuas e gravuras antigas encontradas na Coréia.

         Após o fim da Dinastia Koryo, o Soo Bak Gi começou a declinar e continuou declinando até o final da Dinastia Yi.

         Quando a Coréia sofreu o domínio japonês, ficou proibida a prática de suas artes marciais.   Mesmo assim, Song Duk Ki e Han Il Dong – dedicados praticantes – conseguiram manter entre o povo coreano a tradição do Tae Do ou Taekyon durante esse negro período.

         Em 1945, finalmente liberta, a Coréia pôde ver seus velhos mestres abrirem várias escolas sob os mais diversos nomes: Kong Soo Do, Soo Bak Do, Tang Soo Do e outros.

         O General Choi Hong Hi começou então a ensinar artes marciais para alguns militares e chegou a dar uma demonstração, em 1952, para o presidente coreano Rhee que, vivamente impressionado, ordenou a todos os seus soldados que treinassem o sistema.

         Em 1955, os diversos estilos coreanos fundiram-se em um só que veio a ser chamado de Taekwondo.    Em 1966 o General Choi Hong Hi cria a International Taekwondo Federation – ITF.   Em 1975 termina o desenvolvimento dos Hyongs (Katas) da nova arte.

         Em 25 de janeiro de 1971, é eleito para presidente da Korea Taekwondo Association – KTA, o Sr. Un Yong Kim.   Devido a problemas internos, o General Choi, transfere a sede da ITF para Montreal, Canadá, em 1973.    Foi criada então a The World Taekwondo Federation – WTF, com a finalidade de reorganizar a arte e buscar seu reconhecimento mundial.   Assume a presidência da entidade, eleito por unanimidade, o Sr. Um Yong Kim.   Ainda em 1973 acontece o primeiro campeonato mundial de Taekwondo, com a participação de 200 atletas e 22 países.   Foi um passo decisivo para a divulgação mundo afora.   O Taekwondo tomava o restante da Ásia em 1974, a Europa e Oriente Médio em 1976, e em 1978 já era disputado em Jogos Panamericanos.   Em 1979 chegava a África.   Atualmente estima-se em mais de 3 milhões o número de praticantes em todo o mundo, distribuídos pelos 110 países filiados à WTF, além da própria Coréia.

         É bom esclarecer que o Taekwondo é um só, embora no Brasil tenha ressurgido a ITF, através da qual os primeiros mestres trouxeram a arte para o país e que portanto, predomina ainda em muitas academias.   A diferença técnica que existe entre o estilo Chong Hong Ryu e o Kuk Ki Won são os chamados HYONGs, Turls ou Poom Se ( Formas ou katas ).

         A raiz é única.   Sua história é a mesma.   Desentendimentos políticos entre as duas Federações são um caso à parte.   Confusões podem surgir entre os menos esclarecidos e, infelizmente, com isso é o Taekwondo que se vê prejudicado apesar de suas organizações terem sempre desfrutados de bom prestígio.

         Nós taekwondoistas brasileiros, devemos nos unir e lutar por um Taekwondo justo, organizado e exemplar: UM TAEKWONDO DIGNO DA GRANDEZA DESTE PAÍS!

( MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA COMBAT SPORT – N° 18 – AGOSTO DE 1993. )