Dezembro - 2018
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Entrevista com o Grão Mestre Fábio Goulart

Fábio Goulart, um dos mais renomados atletas brasileiros, Grão Mestre de sucesso além de ter sido dirigente da nossa modalidade, autor de vários livros sobre taekwondo e escreve o blog sobre Artes Marciais do jornal A Tribuna. Atualmente envolvido com projetos pessoais, Mestre Fábio concedeu-nos gentilmente esta entrevista.
 
Mestre Fábio, o senhor está um pouco afastado das competições e eventos do taekwondo, o que o senhor está fazendo no momento?
Estou totalmente afastado de competições. Decidi isso há uns dois anos, logo após os Jogos Sul-americanos. Não foi uma decisão difícil de ser tomada, pois vários fatores contribuíram, principalmente as decepções com atletas e "amigos". Atualmente dedico meu tempo apenas à academia, a alguns projetos pessoais e à família. E foi a melhor decisão que tomei. A frequência de alunos na academia melhorou e com a evolução técnica dos professores e mestres da AFG, posso dizer que atravessamos hoje, uma das melhores fases da empresa.
 
O senhor está de mudança para os E.U.A.? Pretende abrir academias nos E.U.A.?
Não. Quem diz isso é porque não sabe nada da minha vida ou está querendo que eu saia de Santos para ter o caminho livre (risos). Tenho um projeto de vida para minha filha, pois antes de nascer, eu e a mãe dela fizemos um plano para educá-la nos EUA, tanto que o plano A era de as duas obterem o visto F-1, de estudante e eu o F-2, de acompanhante, para poder voltar e visitá-las sempre que eu quisesse, porém, nem precisamos disso.
O plano deu certo graças à ajuda de algumas pessoas, principalmente do Mestre Jung, um grande amigo que está em Denver e que me colocou em contato com um escritório de advocacia especializado em imigração e que resolveu todo o meu processo para obtenção do visto de residente. Portanto, teremos residência nos dois países. Jamais descuidaria do meu negócio aqui no Brasil, apesar de ter aqui pessoas muito competentes e que administram muito bem a academia, como meu sobrinho Murilo e os meus alunos João Paulo, Rodrigo e Regina.
A proposta é, quando estiver nos EUA fazendo algum curso ou participando de projetos com técnicos americanos (já em andamento), eu darei algumas aulas por videoconferência. Foi instalada na academia uma TV de 55 polegadas com a acesso à internet e por ela eu entro através do Skype ou software similar e converso com os alunos. Essa experiência foi feita no mês de setembro, quando passei um mês em Orlando fazendo testes. E deu certo. No início, o projeto prevê 6 viagens por ano aos EUA com permanências de 15 a 20 dias.
Quanto à segunda pergunta: Sim, se tudo correr bem nos primeiros dois anos eu pretendo abrir algum negócio lá. Não sei se academia ou atuar em outro ramo.
 
A AFG chegou a ser base da Seleção Júnior Paulista e Brasileira, mas ultimamente não vemos mais ações como as que o senhor promovia neste sentido, o que houve?
Cansei. Cansei de ser usado por algumas pessoas e também por atletas que se aproveitavam da ótima infraestrutura de treinamento que nós tínhamos para nossos atletas e depois simplesmente sumiam, sem dar satisfação, descartando você como se fosse lixo. O respeito havia enquanto estavam ali, sugando o que lhes interessava. Depois, só sobravam os erros que você cometeu. O bem que você fez pela pessoa já não existia. Engraçado é que o tempo passa e eles não evoluem. Continuam pulando de galho em galho sem conquistar nada. Mas isso é só uma observação, quem sou eu para julgar! Passar finais de semana treinando atletas, participando de competições e deixando de passar tempo com minha família, nunca mais. E os que estão comigo hoje sabem disso. Sinceramente, cansei de ajudar quem não queria ser ajudado. Deixo minha energia para aqueles que sei que farão bom uso dela.

O senhor inovou o conceito de academias de taekwondo, sistematizou métodos de ensino e avaliação, design e layout de academias, hoje servindo como modelo para dezenas de academias no país, o senhor não pensa em transformar e transmitir todo esse conhecimento e experiência em um livro ou manual?
Isso tudo está documentado. No meu livro “Em busca do Sucesso", tem a receita para o profissional do Taekwondo conquistar seus objetivos, mas para isso ele deve possuir o mínimo de conhecimento sobre administração para percorrer e decifrar o que escrevi. E é óbvio que, com o passar do tempo, o livro se tornará obsoleto, antiquado, pois novas técnicas virão. O que eu digo sempre é que é muito fácil se dar bem no Taekwondo, pois a concorrência não se preparou para a evolução nas áreas do marketing e da administração, então aquele que detiver o mínimo de conhecimento, estará sempre à frente da maioria.
Em Santos sim, tenho concorrentes fortes, mestres que sabem ensinar e que usam muito bem algumas ferramentas de propaganda, porém, às vezes, nas entrevistas, contam mentiras e isto um dia o povo descobrirá e é aí que começa a decadência do concorrente. É só aguardar e não se acomodar.

Qual a importância da administração das entidades dirigentes da nossa modalidade para as academias?
No meu caso, hoje em dia, nenhuma, a não ser para comunicar os exames de faixa e pagar as taxas. Lógico que este cenário pode e deve mudar.
Um bom profissional e uma boa academia não pode depender de uma entidade estadual para sobreviver. O ponto é justamente o contrário: a entidade é que precisa das academias. Se houver uma troca de informações, ajuda mútua e principalmente, investimento em conhecimento por parte da Entidade Estadual ou Nacional, aí sim, será de grande importância. A manutenção do Taekwondo como esporte que cresce a cada dia, dependerá da formação dos profissionais que irão passar os conhecimentos técnicos às pessoas. Essa cadeia deve ser muito bem estruturada e selecionada. Hoje já não adianta mais o faixa-preta ser formado em Educação Física, Administração ou alguma área afim, apenas. O conhecimento ultrapassou a formação universitária e a experiência adquirida com os anos de prática servirão como base para o sucesso. Tendo conhecimento e experiência você pode concorrer de igual para igual com os mais fortes na sua área.
 
Atualmente afastado das entidades de administração do taekwondo, como o senhor avalia as gestões da entidade estadual e da entidade nacional da nossa modalidade?
Para falar a verdade, nem sei o que acontece nas entidades hoje. Pago minhas taxas por ser filiado e só. É algo que não me chama mais a atenção e apesar do que muitos pensam, não voltaria a trabalhar nelas, pelo menos não como protagonista, apenas como coadjuvante, e mesmo assim, longe da área técnica. Qualquer trabalho hoje que me faça passar finais de semana longe da minha família, está descartado. A vida é feita de escolhas, e eu fiz essa.
 
O senhor está envolvido em algum projeto para o taekwondo tanto no Brasil quanto em outros países?
Envolve o Taekwondo, mas não tem a interferência de entidade estadual ou nacional. São projetos diretamente ligados aos EUA, com profissionais das áreas de Taekwondo, fitness e turismo. Serão projetos grandes e que no final, aqueles que participarem, certamente crescerão profissionalmente.
 
O senhor trabalhou na inclusão do taekwondo nas olimpíadas escolares, após estes anos com o taekwondo sendo disputado como modalidade oficial da OE acredita que atingiu o objetivo?
A pedido do COB, em 2009, escrevi as regras para o Taekwondo nas Olimpíadas Escolares. Muitos criticam ter somente 3 categorias, mas foi uma exigência do Comitê. Eu vi na época, a chance de o Taekwondo chegar pelo menos próximo ao Judô, pois as escolas poderiam investir em professores para preparar atletas.
A inclusão do Taekwondo nas OE foi o tema da minha tese na conclusão do Curso Avançado de Gestão Esportiva - CAGE, promovido pelo Comitê Olímpico. Não via o Taekwondo nas OE como ele está hoje. É simplesmente mais uma modalidade e não "a" modalidade. Minha idéia era, após a inclusão e apresentação passar para uma segunda fase, de capacitação de professores e de padronização de aulas, de acordo com o objetivo escolar e de preparação de atletas de faixa colorida, com uma regra especial de competição. Acho que o objetivo que eu esperava, não foi alcançado.

Agradecemos a sua participação, deixamos este espaço para suas considerações finais. Muito obrigado Mestre!
Queria muito agradecer ao Bang que sempre divulgou e ajudou a Seleção Júnior do Brasil, enquanto estive no comando, de 2002 a 2010. Deixei um modelo de trabalho em 2010, para a Seleção Júnior, após o Camping do México. Não estou muito ligado a isso, mas parece que haverá um grande investimento para a Seleção Júnior. Espero que os dirigentes invistam realmente nesses atletas.
Também dizer que a visão do esporte depende de como olhamos para ele. Temos uma mente aberta ou invejosa? Aplaudimos quando profissionais estrangeiros são trazidos para nos ensinar? Ou apenas criticamos por não termos o conhecimento necessário para entendê-los? E por aí vai.
Cometi meus erros enquanto diretor técnico da CBTKD, mas tenho certeza que cumpri e deixei um trabalho bem feito, pelo menos com franqueza, dignidade e honestidade. Desejo boa sorte a todos os Taekwondistas brasileiros e aos seus dirigentes. Não desperdicem essa oportunidade única de 2016.

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BANG .:. Desde 1971 no Brasil .:. Tradição & Qualidade