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Treinamento funcional resgata habilidades motoras e trabalha todas as valências do lutador de MMA

Treinamento funcional resgata habilidades motoras e trabalha todas as valências do lutador de MMA

POR JORNALISMO PORTAL EF

Lutadores são preparados para competir durante décadas e não mais por poucos anos.

Os benefícios do treinamento funcional são cada vez mais difundidos, fazendo com que essa modalidade de preparo físico conquiste adeptos nos mais variados esportes. Do futebol às lutas, o treinamento funcional trabalha o atleta globalmente, melhorando todas as suas valências de modo a lhe preparar melhor para o exercício praticado. No MMA, por exemplo, o treino funcional é usado para resgatar as habilidades motoras do lutador, se aproximando ao máximo dos movimentos que ele vai utilizar na luta, com explosão, força e agilidade para prepará-lo melhor para cada disputa.

Relacionamento histórico

Allan Menache é treinador Core 360, preparador físico do Instituto Marazul e diretor técnico do “Treinamento Inteligente” e conta que o que chamamos hoje de “treinamento funcional” já era, de certa forma, praticado por atletas de lutas de contato (strikers) como Taekwondo, Muay Thai, Karatê, Boxe e de lutas de agarradas (grapplers), como Judô, Jiu Jitsu, Luta Livre etc, pois vários elementos em seus treinos são aplicados ainda hoje. Ele cita como exemplos o treinamento com o peso do próprio corpo, o uso dos meios disponíveis na natureza, o desenvolvimento específico das capacidades físicas envolvidas na modalidade etc.

“O que diferencia o que é feito hoje do que era realizado anos atrás é a forma como o treinamento é organizado atualmente e a importância do desenvolvimento multilateral do atleta e os novos e modernos equipamentos e acessórios utilizados no treinamento funcional. Os sistemas de periodização também evoluíram com o tempo e muitos treinadores já empregam o treinamento funcional na preparação de seus alunos e atletas”, afirma.

Por ser uma modalidade com artes marciais mistas que tem crescido muito, o MMA trouxe uma nova demanda de treino: “costumamos dizer que a preparação física para o MMA é a mais completa e desafiadora que existe”, frisa Menache.

Muita luta

O preparador físico de esportes de combate Fernando Ribeiro, treinador Core 360 e diretor técnico do Studio Gracie Treinamento Funcional, conta que o MMA se tornou uma categoria própria. “Antes, o lutador de Muay Thai ia pro MMA e aprendia outra arte marcial; o cara do Jiu Jitsu aprendia a socar para se transformar em lutador dessa modalidade e hoje o treino é específico para preparar o cara para ser lutador de MMA”, conta.

A individualidade do lutador é analisada para descobrir seus pontos fortes e como aprimorá-los. Ribeiro destaca que o lutador precisa ser forte e rápido para não ser vulnerável, mas precisa de um treino que melhore todas as suas valências físicas para poder estar bem preparado para a luta, o que é conquistado por meio do treinamento funcional. “Há momentos que exigem força, resistência, explosão e não dá para prever em que hora da luta ele vai precisar de cada uma delas. Tem que estar preparado para a situação. O pessoal hoje esquece que precisa também ter equilíbrio. Os lutadores só aguentam as sequências de luta por causa da preparação física”, explica.

O treino de um lutador de MMA também não é baseado apenas no volume. Com as técnicas do treinamento funcional, busca-se o que o indivíduo tem de melhor para trabalhar suas dificuldades e potencializar seus pontos positivos. “Todas as capacidades físicas serão desenvolvidas de forma equilibrada e específica, podendo fazer uso das mais variadas metodologias de treinamento para se chegar aos objetivos”, diz Menache.

Mais desempenho, mais lutas

Para se adequar às necessidades do lutador de MMA, o treinamento funcional deve ser organizado de acordo com a individualidade do praticante, de seus objetivos e do calendário competitivo. O desenvolvimento multilateral das capacidades físicas do lutador é feito ao longo do período de preparação sem pular fases e sem desgastá-lo. A melhora das habilidades do atleta é o foco principal.

Para Allan Menache, no treino de um atleta de MMA tudo é muito intenso e difícil,já que eles precisam, em geral, treinar três, quatro, até cinco modalidades de luta,fazer o preparo físico adequado ao seu nível de performance etc. “O treinamento funcional além de capacitar o atleta a ser mais forte, rápido, resistente, flexível, ágil, etc vai atuar fortemente nas estratégias de regeneração e prevenção de lesões o que indiretamente irá aumentar o nível de performance. Outro aspecto fundamental ligado a um atleta bem preparado fisicamente é a força mental que ele adquire”, diz.

Com todas as habilidades desenvolvidas, o que define a vitória são detalhes, de acordo com Ribeiro: “ao melhorar as valências físicas, melhora-se também a parte técnica e ele pode dar mais soco, mais chute, ficar em atividade mais tempo, suportar mais golpes etc.

Com 15 anos de experiência em lutas, o diretor técnico do Studio Gracie lembra que muitos lutadores são submetidos ao overtraining, desenvolvendo a luta em cima de um desequilíbrio muscular ou ósseo que os levam a lesões. Com isso, muitos atletas têm vida curta no esporte e, em cerca de dois anos, acabam “aposentados”. Ao adotar o treinamento funcional na periodização, o lutador passa a trabalhar o que faz menos na situação de luta para equilibrar o organismo: “se ele dá muito soco, usa muito a parte anterior do corpo, então vamos trabalhar a parte posterior e os treinos farão ele andar mais pros lados e pra trás pra equilibrar a musculatura. Não usamos um só padrão de movimento para que ele possa ficar forte em todos os planos e eixos para se equilibrar melhor, não se lesionar e poder lutar por mais tempo”.

Fernando Ribeiro ressalta que a preocupação do treinador também deve ser com o descanso e a recuperação do seu atleta. Afinal, são itens que também fazem parte do treinamento, mas que muita gente negligência.

Para não ficar na lanterninha

Lutadores de renome como os irmãos Minotauro e Minotouro, Ricardo Arona, Wanderley Silva e Shogun são alguns dos que já adotaram o treinamento funcional na sua preparação. “Quem treina só da forma convencional fica para trás”, indica Ribeiro. O profissional de educação física também precisa buscar o aprimoramento para poder trabalhar com o treinamento funcional de forma adequada e se destacar no mercado. Reproduzir o que vê nas redes sociais sem saber como funciona é perigoso. “Tem que ser habilitado, conhecer o ambiente de luta, vivenciar a luta para ter bagagem e se especializar em treino funcional”, ensina Ribeiro.

Diversas empresas de educação do Brasil e do exterior oferecem cursos de certificação em treinamento funcional. Menache afirma que o profissional que intenta seguir por essa modalidade precisa ter bom conhecimento na ciência do treinamento como anatomia, cinesiologia, biomecânica, fisiologia etc, além de não ter preguiça de sair da zona de conforto e buscar conhecimento e evolução constantemente.

Consultoria Técnica: Márcio Santos



 
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